Sobre

Na obra de Petra Costa, o pessoal e o político estão intrinsecamente ligados. Seu filme mais recente, Democracia em Vertigem, é um documentário original da Netflix que teve sua estréia na noite de abertura do Sundance Film Festival 2019. Segundo o First Showing, “as imagens que ela compartilha são realmente de cair o queixo” e revelam “um assombroso olhar sobre a recente agitação política no Brasil, examinando e mostrando ao espectador de forma direta como a democracia está colapsando graças à disputa de poder político”. O filme “tem um ar de “Todos os Homens do Presidente” com uma pincelada de “O Poderoso Chefão”, como publicou o ScreenDaily. Para a POV Magazine, “este documentário político é como nenhum outro, um trabalho íntimo e grandioso”.

Democracia em Vertigem é o terceiro documentário de uma trilogia em que Petra investiga sua história familiar. O primeiro, Olhos de Ressaca, retrata as lembranças e histórias de seus avós, num conto pessoal e existencial sobre o amor e a morte. Foi exibido no MoMA em 2010 e ganhou o prêmio de melhor curta-metragem no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro de 2009,  de melhor curta-metragem no Festival Internacional de Documentários de Londres e de melhor curta do 13º Festival Internacional de Cinema Cine Las Americas, entre outros.

Segunda parte da trilogia, Elena, seu primeiro longa, é uma mistura de documentário, diário e sonho febril, e foi o documentário mais visto no Brasil em 2013. O filme conta a história de duas irmãs – e  enquanto uma procura pela outra suas identidades começam a se confundir. O filme foi chamado de “um sonho cinematográfico” pelo New York Times, “assombroso e inesquecível” pelo Hollywood Reporter, e foi definido como uma “magistral estréia que leva a não-ficção onde raramente quer ir – longe do abraço reconfortante dos fatos e perto de um reino de possibilidades expressionistas” pela Indiewire. Elena estreou no IDFA seguido do SXSW e Hotdocs e ganhou muitos prêmios como melhor filme no Festival de Cinema de Havana (2013), melhor filme no DOCSDF, melhor direção, edição e melhor filme do júri popular no Festival de Brasília, e foi indicado de Melhor Fotografia no 2014 Cinema Eye Honors.

Além dessa trilogia, Petra co-dirigiu Olmo e A Gaivota, que “explora com entusiasmo emocionante um espaço entre ficção e não ficção que nunca sonhei possível”, como escreveu Joshua Oppenheimer, diretor do The Act of Killing. Foi resenhado pelo Télérama como “uma reflexão sem tabus, cheia de humor e ousadia, sobre a criação no seu sentido mais amplo”. Olmo e A Gaivota estreou em Locarno, onde ganhou o Prêmio Jovem do Júri. Também ganhou o Best Nordic Dox Award no CPH:DOX, melhor documentário no Festival de Cinema do Rio, melhor documentário do Festival de Cinema do Cairo e melhor narrativa no festival de filmes RiverRun International Film Festival, entre outros.

Petra começou sua formação em teatro no Brasil aos 14 anos e estudou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (EAD-USP). Completou seus estudos de graduação em Antropologia no Barnard College, da Columbia University, em Nova York, e completou seu mestrado em Psicologia Social na London School of Economics focando seus estudos no conceito de trauma.